• Milton Dines

Vida ao ar livre ou "great outdoors"

CULTURA DA VIDA AO AR LIVRE:

Entre matas e montanhas, o prazer de estar na natureza

Milton Dines

Entre tantas formas de nos relacionarmos com o ambiente que nos rodeia, num país em que cerca de 85% da população mora em cidades, o contato com a natureza vem tomando importância crescente. Embora muitas cidades disponham de áreas verdes e de locais menos urbanizados, onde a natureza se manifesta com alguma intensidade, somente quando nos afastamos das áreas urbanas temos a oportunidade de vivenciar plenamente o ambiente natural.

Quebra do cotidiano

Sair do cotidiano, da vida urbana, abandonar temporariamente os lugares que frequentamos no dia-a-dia, constitui oportunidade ímpar de nos conectarmos com outra realidade e de percebermos a nossa relação com o ambiente natural. Desde a preparação da atividade até a sua realização é preciso se desconectar da vida mundana e se preparar para uma atividade que exige outras habilidades do nosso corpo e da nossa mente.

O Ato de caminhar

Caminhar por trilhas em ambientes naturais nos abre amplas oportunidades de vivenciar esse novo ambiente. A preparação para uma caminhada requer uma vida ativa e não sedentária, mas necessita apenas de um bom calçado e roupas apropriadas para atividade esportiva. A caminhada em ambiente natural pode ser realizada em caminhos rurais ou em trilhas, onde a interação com a natureza é mais intensa.


Trekking Herzi Pinki

Despojamento

O despojamento da caminhada é seu maior atrativo. Caminhar por trilhas requer algum preparo físico e muita disposição, mas nos leva a esse mundo de sensações, cores, sons e experiências que não temos nas cidades. As melhores trilhas estão nas áreas protegidas. Em Parques nacionais ou seus equivalentes estaduais, municipais ou privados, encontramos a natureza preservada e exuberante, propiciando um verdadeiro mergulho na natureza. Quando a trilha é longa e requer mais de um dia, preparar-se para um ou mais acampamentos significa organizar tudo que é preciso em uma mochila que deverá ser o mais leve possível, ou seja, levamos apenas o essencial para realizarmos a atividade adequadamente, incluindo vestimentas, abrigo e alimentação.

A percepção da natureza: sensações, sons e cheiros inesperados

Esse mergulho se dá de várias formas, nas áreas protegidas respiramos um ar mais puro e sentimos o vento, o calor do sol e os aromas da natureza com mais intensidade. Os olhos atentos para o caminho e para a paisagem que se descortina ficam atento também para cores, formas, ruídos e, com alguma sorte, a avistagem de animais silvestres em seu hábitat natural. Em muitos parques, o mergulho é literal: cachoeiras, rios e praias complementam o passeio com mergulhos refrescantes em lugares paradisíacos. Com o hábito de caminhar nossa percepção se amplia e notamos a delicadeza e a variedade da vegetação e suas folhas e flores, observamos insetos coloridos e pássaros que se ouve antes de vê-los. Na época da florada, cada planta apresenta uma surpresa de cores e cheiros que vão nos brindando ao longo do caminho.

O convívio com a natureza faz bem à saúde

“Contemplar a natureza pode trazer uma vida com menos vaidade e proporcionar mais sensações de felicidade.

...

Pesquisa e estudos realizados em 2018 por Amie Gordon, pesquisadora da Universidade da Califórnia, no Laboratório de Emoção, Saúde e Psicofisiologia, e pela assistente do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, Jennifer Stellar, concluiu que pessoas que disseram admirar mais frequentemente a natureza teriam mais saúde.


Vale notar as recomendações realizadas pelas pesquisadoras Stellar e Gordon. De acordo com suas pesquisas as pessoas com mais contato com a natureza se admiram mais. Neste caso, recomenda-se fazer trilhas, escaladas e estar em contato maior com ambientes naturais que modifiquem, ou sejam diferentes do cotidiano.

A novidade também é algo importante. Portanto, viajar para lugares desconhecidos pode ser uma receita boa receita para uma saúde melhor.” [1]


Sibélia Zanon estabelece de forma assertiva que “vivenciar a natureza contribui para o desenvolvimento físico, mental e emocional, além de promover a valorização das relações. A natureza nos inspira, ainda, a participar de forma mais ativa de processos de transformação para construirmos, juntos, um mundo mais sustentável.” (Educando na natureza. Ecofuturo, 2018)

Outras formas de socialização, de estabelecer relações e conhecer pessoas. Vida ao ar livre na infância

Quando caminhamos pelas montanhas, ou por áreas abertas como campos ou praias, a visão de longas distâncias nos dá a sensação de abraçar o mundo, aquele deslumbramento dos mirantes ao longo de toda a caminhada. Após uma longa e extenuante subida, sentar em uma pedra e beber um pouco de água ou degustar um lanche espartano tem um sabor especial acrescentado da ampla paisagem ao nosso redor. Ao fim do dia, o acampamento reúne a todos que estavam naquele setor da trilha e a camaradagem é uma forma de relacionamento que muitas vezes acaba em amizades que se perpetuam pelos interesses comuns, pelo apego às caminhadas, pela apreciação da natureza. Levar crianças nestas atividades é a melhor forma de introduzi-las ao ambiente natural. Para cada faixa etária uma atividade compatível, mas as caminhadas e os acampamentos podem ser realizados desde cedo e se constituirão em atividades memoráveis, um aprendizado divertido em ambiente muito distinto do cotidiano infantil.


Experimentar outras habilidades

As primeiras caminhadas sempre representam um enorme desafio pelo inusitado da atividade, onde tudo é novidade. Com a prática, o nosso corpo e mente vão se acostumando com as novas habilidades que desenvolvemos. O equilíbrio necessário para percorrer trilhas acidentadas de forma suave e natural, a ampliação da percepção do olhar, do olfato e da audição para este novo mundo não construído pelo homem. O aprendizado e a habilidade em se orientar e navegar com auxílio de GPS, mapas ou bússola. A capacidade de preparar refeições completas e satisfatórias, embora simples, para repor as energias gastas em um dia de caminhada.

Liberdade/Outra forma de lidar com o tempo e o espaço

Numa caminhada o relógio desempenha papel importante porque nos indica quanto tempo falta para chegarmos até o final da trilha, até um objetivo determinado, como uma cachoeira ou se temos tempo suficiente para subir outro pico e retornar ao início da trilha antes de escurecer. Mas, apesar destas limitações, a nossa relação com o tempo e o espaço não se desenvolve do mesmo modo. Acordamos cedo, porque a luz da manhã nos desperta e indica que já é tempo de arrumarmos a tralha porque um novo dia cheio de surpresas nos aguarda. Enfrentamos o sol e o vento, as vezes a chuva, porque estamos ao ar livre e essa plenitude nos move adiante.


Acampamento Michal Klajban

Paramos para descansar, várias vezes; à beira de um riacho, onde nos refrescamos; na ponta de um penhasco, onde aproveitamos para fazer um lanche com uma vista espetacular; ou simplesmente porque uma pedra nos convida a sentar bem na hora de tomar uns goles de água e comer um petisco antes de prosseguir. O fim do dia nos encontra de volta à pousada, ou armando um novo acampamento em trilhas mais longas. O tempo é o tempo da natureza e o espaço é até onde a vista alcança.

Usufruir do presente, curtir o momento

As atividades ao ar livre são bem diversificadas. Caminhadas, acampamentos, escalada em rocha, canoagem, ciclismo, visita e exploração de cavernas são exemplos do universo que chamamos de excursionismo. Um conjunto de atividades que representam a satisfação de usufruir do presente, de curtir o momento, de se preocupar apenas com o essencial em busca desse convívio com o ambiente natural e com outras pessoas que também valorizam a atividade. Nos E.U.A. existe um termo utilizado pelos aficionados para designar estes espaços naturais e a satisfação de estar na natureza protegida: great outdoors. O termo designa paisagens naturais devidamente preservadas pelo sistema norte-americano de áreas protegidas, que leva muito à sério a preservação destas áreas e o direito do cidadão de desfrutá-las por meio de programas e infraestrutura elaborados e implantados especialmente para esta finalidade. Mas não faltam great outdoors no Brasil. Embora os programas de visitação estejam apenas engatinhando, temos uma coleção de Parques Nacionais (e congêneres) abertos à visitação que nos proporcionam uma vivência intensiva e imersiva em todos os biomas brasileiros. Visitar estes lugares é sempre um meio de passarmos um tempo excelente, e voltarmos renovados pelo convívio com o ambiente natural.

[1] De acordo com pesquisa, admirar a natureza pode trazer mais felicidade. Fonte: http://www.guiaviajarmelhor.com.br/pesquisa-admirar-a-natureza-pode-trazer-mais-felicidade/?fbclid=IwAR302EhnbKKFr9YiBTAyRISX4LEvD15NBEV-AfnenZTDCmibtwRyjZwVlX0. Acesso em maio 2019.

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

  Assine nossa newsletter  

  • Facebook
  • Instagram

© 2018-2021 Finis Terrae Viagens e Turismo Ltda