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Livros sobre viagens para ler numa viagem



Livros são grandes companheiros de viagem. Podem ser o principal motivo para fazermos uma pausa diária durante uma viagem e aproveitarmos o tempo da leitura para nos voltarmos a nós mesmos. Também são ótimos para ajudar o tempo a passar melhor em longas esperas por um ônibus ou avião atrasado, ou ajudando o tempo a passar mais rápido durante aquele trajeto de horas. Você pode se interessar por inúmeros assuntos, mas um livro sobre viagens tem um sabor mais especial se for lido enquanto viajamos.


Existem diversos tipos de livros sobre viagens, desde relatos de viagens reais, empreendidas por, quem sabe, um grande explorador em busca de tesouros perdidos, da primazia de ser o primeiro a chegar a determinado local onde ninguém jamais esteve, um viajante que encontra motivos inusitados para percorrer regiões que não são conhecidas como atrativos turísticos, ou um prosaico viajante que consegue dar novas cores a locais que muitos já conhecem. Também encontramos relatos de viagens fictícias a locais e mundos oníricos que se preocupam em criar uma atmosfera de enlevo e estranhamento, ou de suspense ou de ...


Dá para viajar no tempo e no espaço durante a leitura de um bom livro sobre viagens e, em última análise, sobrepor duas viagens: aquela que estamos empreendendo e a viagem do livro que estamos lendo.


Reuni uma lista de livros sobre viagens que trazem uma ampla diversidade de abordagens. Alguns representam os primórdios da publicação de relatos sobre o tema, alguns nos contam sobre intrépidas expedições do passado, enquanto outros não passam de pura ficção. Alguns servirão de guia para a tua próxima viagem. Outros para refletir sobre o ato de viajar e um ou outro livro vai te fazer pensar sobre a essência do mundo em que viajamos.


1. Viagens de Marco Polo


Não daria para falar de livros de viagem sem começar por este livro. Talvez o mais antigo relato de viagem do mundo ocidental, o conteúdo desse livro foi fruto de um relato oral que o ilustre viajante e mercador narrou a um colega do cárcere genovês, onde Marco Polo foi parar após quase duas décadas de viagens. A viagem de Marco Polo ao Oriente ocorreu de 1271 a 1295. Entre outras façanhas, estima-se que Marco Polo foi o primeiro ocidental a pisar em Pequim e conviveu com o grande imperador mongol Kublai Khan, que reinava sobre um extenso território que se estendia da China à Turquia.


Carlos Guilherme Mota, descreve no posfácio do livro, também conhecido por Il Milione ou O Livro das Maravilhas, que o tom geral do livro “é dado precisamente pela descrição do maravilhoso, que incandescia os corações e as mentes da Europa Medieval, do mesmo modo que o realismo mágico dominou a literatura latino-americana nos dias de hoje (décadas de 1970 e 1980 - nota da redação.) O mundo maravilhoso é um mundo possível, tangível ...” que flutua entre a mera descrição de viagem até a fantasia de lugares e feitos inacreditáveis. As diversas compilações e reedições do livro, moldando-o ao gosto e a (auto)censura de cada era, desde a sua edição original, situa esse incrível relato no domínio da literatura fantástica e é justamente por isso que segue fascinando os leitores por quase 9 séculos.


Editora Clube do Livro, São Paulo, 1989 (livro provavelmente encontrado em sebos).



2. Novo Mundo – As cartas que batizaram a América

Apresentação e Notas de Eduardo Bueno


Américo Vespúcio (c.1451-1512) é um dos mais intrigantes e controversos exploradores do Novo Mundo. Com uma diferença: ele legou seu nome às terras descobertas por Colombo, visitadas por Cabral e devastadas por Cortez e Pizarro, América. Filho da Florença renascentista, contemporâneo e conterrâneo (em alguns casos amigo) de gênios como Michelangelo, Botticelli, Leonardo da Vinci e Maquiavel. Vespúcio viajou pelas misteriosas terras do Ocidente – mas não com uma bíblia na mão e uma espada na outra. Citava Dante e Petrarca, usava o quadrante e o astrolábio. As contradições e perplexidades de Vespúcio são as mesmas do mundo contemporâneo. Este livro tem apresentação e notas de Eduardo Bueno, que também selecionou as ilustrações de época, reúne as cartas de Américo Vespúcio traduzidas do latim e do italiano.


Editora Planeta do Brasil, 2003.


3. Cabeza de Vaca – Naufrágios e Comentários

Apresentação de Henry Muller


Alvar Nuñez Cabeza de Vaca (1492 - ?) foi um dos conquistadores mais intrépidos e incomuns da história colonial da América. Ao naufragar na Flórida em 1527, caminhou 18 mil quilômetros, descalço e nu, até o México, onde chegou em 1537. Mais tarde, em 1541, veio ao Brasil representando a coroa espanhola e marchou da ilha de Santa Catarina até Asunción, no Paraguay.


O relato de Cabeza de Vaca certamente está entre os primeiros a descrever a América. Entre inúmeras desventuras, Cabeza de Vaca descreve a nova terra e os hábitos e costumes dos povos que aqui viviam. No Brasil, percorrendo o lendário caminho do Peabiru, Vaca foi o primeiro homem branco a chegar às Cataratas de Iguaçu.


Editora L&PM. 1987 (livro provavelmente encontrado em sebos)




Os Naturalistas europeus na corte de D.Pedro II

O século 19 foi o período de diversas missões científicas ao Brasil, onde naturalistas estrangeiros, principalmente europeus, percorreram o país para decifrar e revelar ao mundo aspectos da fauna, da flora, do território e da etnografia de diversos povos indígenas que habitavam o Brasil. Estas viagens e expedições resultaram em inúmeros relatos e livros, publicados no exterior, parte deles traduzida e publicada no Brasil. Diversas publicações destes naturalistas europeus podem ser encontradas na coleção Redescobrindo o Brasil - 306 livros sobre história do Brasil organizada pela Editora Itatiaia, em conjunto com a EDUSP, publicada entre 1973 e 1990. Entre tantos títulos,


Um exemplo interessante desta coleção:


4. Viagem às Nascentes do Rio São Francisco – Auguste de Saint-Hilaire


Saint-Hilaire esteve no Brasil de 1816 a 1822. Nestes seis anos, viajou pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, reunindo notável quantidade de dados e informações referentes à História Natural, além de amplo levantamento de interesse para a Geografia, a História e a Etnografia.


O material colecionado no Brasil por Saint-Hilaire contém um herbário composto por 30 mil exemplares, abrangendo mais de 7 mil espécies, das quais 4.500 eram consideradas desconhecidas à época.


Além de cientista aplicado, Auguste de Saint-Hilaire era um notável e meticuloso escritor. Seus relatórios detalhados convertem-se em instigante literatura a respeito de suas viagens e descobertas. Um relato que poderia ser monótono para os dias de hoje, traz uma sequência de revelações e de aspectos pitorescos do Brasil do início do século 19.


Nada o atemorizava na curiosidade de penetrar de penetrar no âmago do país que estudava. Enfrentava intempéries, maus caminhos, péssimas condições de vida, perigos de toda ordem para levar a cabo a missão de cientista. Este livro foi inicialmente publicado em Paris, em 1847.


A despeito das dificuldades de viagem, Sant Hilaire, sempre encontrava aspectos interessantes para relatar, como neste trecho em que após lamentar as dificuldades de uma penosa subida da Serra da Mantiqueira, abre os olhos para a paisagem ao redor:


“Mas se por um lado, eu mal conseguia dar um passo sem esbarrar em um obstáculo, por outro aquele trecho sombrio tinha muitos encantos para me oferecer. As árvores eram tão grossas e de ramagem tão densa que em alguns pontos a vegetação que crescia debaixo delas era extremamente rala, o que é uma coisa rara nesta região. A essa época eu já estava bastante acostumado com as matas virgens; entretanto não conseguia penetrar nelas sem me sentir tomado de admiração. Que riqueza de vegetação, que pompa, que majestade! Quanta variedade nas formas, quanta beleza nos contrastes! Como faz ressaltar a simplicidade das palmeiras a folhagem composta das mimosas! Como parecem delicados e flexíveis os ramos das Mirtáceas com suas minúsculas folhinhas, ao lado de uma Cecrópia, que estende suas parcas e rígidas folhas ao feitio de um candelabro! Que delicioso recolhimento nos proporciona a calma profunda dessas matas, só perturbada pelo grito estridente do ferrador ou o barulho de uma cascata.”

Saint-Hilaire,p.34.


Editora Itatiaia, Belo Horizonte; Ed. Da universidade de São Paulo, São Paulo. (Coleção reconquista do Brasil, v.7) 1975.



5. Viagem de um naturalista ao redor do mundo. Charles Darwin

Em 1831, o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) com apenas 22 anos, embarcou no navio Beagle para participar de uma expedição que duraria até 1833. A jornada acabou estendendo-se por cinco anos e, conforme as palavras do próprio Darwin, “determinou toda a minha carreira”. Foi enquanto colecionava espécimes em terras pouco exploradas que ele começou a formular as ideias que culminariam em A origem das espécies, seu principal livro e divisor de águas no modo do ser humano considerar a própria existência.


Este livro traz os diários mantidos durante essa jornada pelo cientista, que passou pela África, pelas infindáveis costas da América do Sul (inclusive do Brasil), Terra do Fogo, Andes, Ilhas Galápagos e Austrália. Acompanhamos Darwin na coleta diária de materiais, graças à qual acumularia um volume único de informações; a partir desses dados seriam formuladas as teorias de evolução e seleção natural.


O relato dessa fascinante viagem é cheio de perspicácia e da visão crítica de um jovem cientista que narra sua saga com riqueza de detalhes. Darwin deixa claro o seu incômodo e revolta com a prática da escravidão no Brasil, ao mesmo tempo em que descreve, de forma vívida, suas impressões sobre o local em que estava hospedado na cidade do Rio de Janeiro:


“Durante todo o resto de minha permanência no Rio, residi em uma quinta na Baía de Botafogo. Era impossível desejar coisa mais deliciosa do que passar assim algumas semanas num país tão magnífico.

[...]

Todos já ouviram falar da beleza do cenário perto do Botafogo. A casa em que me encontrava hospedado ficava situada bem debaixo da famosa montanha do Corcovado. [...] Nada mais admirável do que o efeito dessas colossais massas redondas de rocha nua emergindo do seio da mais luxuriante vegetação.. “

[...]

Em outra ocasião, parti cedo e andei até a Gávea ou montanha da Gávea. O ar estava deliciosamente fresco e fragrante, e as gotas de orvalho ainda brilhavam sobre as grandes lilácea ,que cobriam com sua sombra a água clara dos riachos. Sentado sobre um bloco de granito, era delicioso observar o voo de vários insetos e pássaros. Os beija-flores parecem gostar imensamente desses recantos sombrios e isolados. Sempre que eu via uma dessas criaturinhas zumbindo em torno de uma flor, com suas asas quase invisíveis pela velocidade com que as movem, lembrava-me da mariposa esfingídea,, cujos hábitos e movimentos são, em muitos aspectos, realmente semelhantes.”

Excertos págs 41, 42, 44. E 48 Vol. I


A visão de uma naturalista com olhos focados nos hábitos e detalhes das espécies que se apresentavam nas suas excursões não desaponta o leitor interessado na descrição das descobertas de Darwin, como nesta descrição das características dos animais encontrados nas ilhas Galápagos:


“Ainda não contei a característica mais notável da história natural deste arquipélago, ou seja, que as diferentes ilhas, em considerável extensão, são habitadas por um conjunto diferente de seres. Minha atenção foi primeiramente atraída por este fato pelo vice-governador, Sr. Lawson, quando declarou que as tartarugas eram diferentes em cada ilha e que podia dizer com certeza de que ilha uma tartaruga havia sido trazida.”

Excerto, pág 197, Vol II


A publicação em formato de livro de bolso, muito prático para viagens, foi separada em dois volumes. Editora L&PM, Porto Alegre. 2008.



6. A volta ao Mundo em Oitenta Dias – Júlio Verne


O Século 19 é pródigo em relatos de cientistas viajantes descobrindo o mundo, mas a literatura fantástica não fica atrás e seu mais ilustre representante escreveu essa interessante ficção, publicada em 1873, sobre a saga de Phileas Fogg, um obstinado cavalheiro britânico que, junto com seu fiel criado francês, Passepartout, empreende uma alucinada volta ao mundo apenas para ganhar a aposta de que o faria em até 80 dias nos idos de 1872.


Nascido em 1828, no início da revolução Industrial, Júlio Verne imortalizou a fé no progresso por seus sonhos futuristas e pela criação de verdadeiros mitos científicos e literários, sendo reconhecido com o um dos precursores da ficção científica, com livros como 20 Mil Léguas Submarinas ou Viagem ao Centro da Terra.


A editora Melhoramentos, em edição de 1996, traduziu a obra publicada pela editora francesa Gallimard, que vem recheada de ilustrações de Jame’s Prunier, além de poder visualizar a vida no século 19 por meio de gravuras e fotos da época, comentadas por Jean-Pierre Verdet, astrônomo do Observatório de Paris, tornando a leitura numa agradável aventura entre fantasia e realidade. (livro provavelmente encontrado em sebos).



7. O Mundo Perdido – Sir Arthur Conan Doyle


Antes de criar seu personagem mais ilustre, o detetive Sherlock Holmes que protagonizou uma série de contos e livros de suspense de muito sucesso em diversos países, o autor escocês escreveu esse romance de aventura, lançado em 1912 na forma de folhetim na revista Strand Magazine, onde uma equipe composta por dois exploradores e um jornalista britânico se aventuram por um platô desconhecido na floresta amazônica, enfrentando dinossauros e tribos de índios e homens-macaco. A viagem até a Amazônia é liderada pelo professor Challenger, excêntrico paleontólogo– personagem que aparece em outras obras do mesmo autor sobre aventuras – acompanhado do jornalista E. Mallone e de seu rival Lord John Roxton que duvida da veracidade sobre a existência de animais pré-históricos e tribos primitivas no alto platô perdido na selva.


A semelhança da ficção com a paisagem do Monte Roraima e arredores impressiona até os dias atuais e atiça a imaginação do visitante. Não é difícil imaginar dinossauros petrificados na neblina que tudo encobre naquele platô misterioso ou mesmo a caverna por onde Challenger e seus amigos escapam, ao nos depararmos com o grande poço por onde as águas do platô desparecem em condutos subterrâneos.


Doyle era frequentador dos salões da Royal Geographical Society, em Londres, onde certamente ouviu a palestra realizada em 13 de fevereiro de 1911 pelo Coronel Percy Fawcett sobre as viagens realizadas para demarcação da fronteira Brasil-Bolívia, e ficou impressionado pelo relato da exploração da remota província de Caupolican, na Bolívia, local de florestas impenetráveis e altas montanhas, onde Fawcet viu “trilhas monstruosas de origem desconhecida”. Fawcet descreveu estas florestas e montanhas: “monstros da aurora do homem ainda devem vagar por estas florestas e alturas, incontestados, aprisionados e protegidos por encostas impossíveis de serem escaladas”. Isso já bastaria para o autor imaginar o enredo de O Mundo Perdido. Ademais, em uma edição anotada da obra, Doyle faz referência à questão política que envolveu a Serra Pacaraima em 1890, onde está o Monte Roraima e os demais Tepuys (mesetas) da Gran Sabana.


Todavia Livros, 2018.



8. Endurance – A lendária expedição de Schakelton à Antartida.

Caroline Alexander. Com fotos inéditas de Frank Hurley


Em 1914 o veleiro Endurance partiu rumo à Antártida; O gelo e o mar do Polo Sul lentamente o tragaram até afundar. Depois de perambular sobre o gelo e de realizar uma inacreditável travessia em escaleres salva-vidas pelo oceano antártico, toda a tripulação, liderada por Ernest Shackelton, regressou à terra firme, após quase 2 anos de intensas privações sobrevivendo ao frio, ao gelo e à fome. As imagens de Frank Hurley, fotógrafo da expedição que conseguiu retornar com chapas de grande formato que formam o acervo visual de toda a viagem, revivem com realismo impressionante essa história extraordinária de resistência e companheirismo. O livro foi organizado com base nas entrevistas realizadas com os sobreviventes.


Cia das Letras, 1999.


9. The Lost City of the Incas – Hiram Bingham

The History of Machu Picchu and its Builders


Hiram Bingham não era um arqueólogo treinado. No entanto, foi durante o tempo de Bingham como conferencista e professor de história da América do Sul em Yale que ele redescobriu a cidade inca amplamente esquecida de Machu Picchu. Em 1908 ele serviu como delegado ao Primeiro Congresso Científico Pan-Americano em Santiago, Chile. No caminho para casa, via Peru, um prefeito local o convenceu a visitar a cidade pré-colombiana de Choquequirao.


Bingham ficou entusiasmado com a perspectiva de cidades incas inexploradas e organizou a Expedição Peruana de Yale em 1911, um dos objetivos da qual era procurar a última capital dos Incas. Guiado por habitantes locais, ele redescobriu e identificou corretamente Vitcos (então chamada de Rosaspata) e Vilcabamba (então chamada de Espíritu Pampa), que ele chamou de "Eromboni Pampa", mas não reconheceu corretamente Vilcabamba como a última capital, em vez disso, continuou em frente e identificando incorretamente Machu Picchu como a "Cidade Perdida dos Incas". Décadas depois, o descuido de Bingham foi retificado pelo explorador andino Vince Lee, cujas pesquisas detalhadas comprovaram que Vilcabamba foi de fato a última capital dos Incas.


Em 24 de julho de 1911, Melchor Arteaga levou Bingham a Machu Picchu, que havia sido amplamente esquecido por todos, exceto pelo pequeno número de pessoas que viviam no vale imediato. Além disso, os exploradores de Cusco Enrique Palma, Gabino Sanchez e Agustín Lizarraga teriam chegado ao local em 1901.


Bingham retornou ao Peru em 1912, 1914 e 1915 com o apoio de Yale e da National Geographic Society. Em The Lost city of the Incas (1948), Bingham relatou como passou a acreditar que Machu Picchu abrigava um grande santuário religioso e servia como centro de treinamento para líderes religiosos. A pesquisa arqueológica moderna determinou que o local não era um centro religioso, mas uma propriedade real para a qual os líderes incas e sua comitiva se dirigiram durante o verão andino. Um elemento chave do legado das expedições são as coleções de animais exóticos, antiguidades e restos de esqueletos humanos.


A exploração e as descobertas de Bingham são apresentadas como uma aventura que se desdobra a si mesma entre florestas primevas, rios turbulentos, pitorescas cachoeiras, cânions de granito e magníficos precipícios, pássaros exóticos e flores coloridas. Ao leitor comum que não poderia empreender viagem tão longa, este volume proporciona um relato vívido do magnífico sítio e de suas maravilhas, uma brilhante introdução à arqueologia do Peru, e uma inesquecível experiência no âmago da exploração.


Edição em inglês – Librerias A.B.C. S. A. Lima, Peru s/d

Edição em Espanhol – B&R Publigraf – s/d (livros provavelmente encontrados em sebos).



10. Na Patagônia- Bruce Chatwin


A vocação de nômade que ele gosta de atribuir, em termos, a uma predisposição genética leva Bruce Chatwin a percorrer a Patagônia. Sensível às cores violentas e contrastantes da natureza austral em que ocres, roxos, malvas, azuis e todas as gradações do verde se entremeiam e se refletem nos montes, céus e águas, ele experimenta a dor física e a vertigem diante de tamanho esplendor.


A Patagônia é um mundo estonteante de surpresas. Nela se refugiaram três figuras célebres de bandoleiros românticos: Sundance Kid, Butch Cassidye sua inseparável companheira Etta Place. Chatwin vai cinhecer os lugares em que moraram e reconstitui seus audazes assaltos. No coração da Patagônia eles continuaram a viver a saga de “outlaws”, a única que parecia dar sentido às suas vidas. Refugiados de outra espécie também se deslocaram para lá, impelidos por outras motivações como, por exemplo, a figura terna e como vente da velha paisagista inglesa, que percorre o mundo replantando jardins e bosques e recriando a beleza devastada. Menos simpáticas e até mesmo trágicas, são as comunidades bôeres que se fecharam na intolerância e na hostilidade; os galeses e escoceses que, em enormes distâncias, dedicam-se à criação de carneiros e, decorridas duas ou três gerações, ainda se expressam em seus idiomas e sentem a nostalgia da pátria mitificada, para eles seu verdadeiro lar.


A Patagônia é, portanto, por demais perturbadora para que Bruce Chatwin não se deixe envolver pelo que vê e, sobretudo, pelo que sente.


Companhia das Letras, 1988. (livro provavelmente encontrado em sebos).



11. Uma caminhada na floresta – Bill Bryson

Redescobrindo os Estados Unidos pela triiha dos Apalaches


O leitor provavelmente já leu sobre exploradores destemidos que escalam montanhas, atravessam oceanos, enfrentam intempéries sofrem experiências traumáticas e até mesmo morrem. Gente cujo sonho é superar limites, quebrar recordes. Este livro apresenta, no entanto, um outro tipo de herói: gente comum que se esfalfa para subir um morro, fica histérica diante de um bicho e se perde no meio do mato.


Você vai conhecer Bill Bryson, um escritor profissional, que embora tenha experiência de caminhadas mais amenas por territórios europeus civilizados, ostenta uma barriga protuberante. E terá um encontro inesquecível com Stephen Katz, um ex-alcoólatra imenso de gordo, viciado em toda espécie de doce, hamburguer e refrigerante, cujo o bjetivo na vida é sentar-se em frente da TV e assistir ao e assistir ao Arquivo X. Porque dois tipo assi, não exatamente atléticos, decidem fazer uma caminhada de três mil quilômetros e vários meses pelo meio do mato?


Esse livro narra as hilariantes aventuras dessa dupla pela Appalachian Trail, uma icônica trilha de longo curso para excursões a pé que se estende por montanhas e florestas ao longo da costa leste dos Estados Unidos, da Geórgia ao Maine. Uma trilha que pode ter nevadas imprevistas, chuvas inclementes, ventos violentos e gélidos; habitada por ursos, linces, alces, cobras e borrachudos implacáveis, mas cujo perigo maior são os inevitáveis excursionistas que adoram discutir tipos de barracas, mochilas e exibir seu equipamento high tech.


Com um texto irreverente e altamente crítico, Bryson conta a interessante história das origens da trilha e casos incríveis de destruição ecológica, perpetrados por quem deveria cuidar da conservação da natureza. Descreve paisagens magníficas e fala da marcha sem freios do progresso americano e do turismo superficial que descaracterizam as velhas cidadezinhas do interior.


Para o praticante de caminhadas o livro traz uma deliciosa e, por vezes, hilariante narrativa que inclui todos os prazeres e recompensas das atividades recreativas em ambiente natural, mas também revela todos os “perrengues” tão comuns à atividade excursionista.


Companhia das Letras, 1999.



12. A Fantástica Volta ao Mundo - Zeca Camargo


Entre 16 de maio e 19 de setembro de 2004, o Fantástico misturou viagem, aventura e interatividade no quadro A Fantástica Volta ao Mundo. Zeca Camargo e o repórter-cinematográfico Guilherme Azevedo iniciaram uma jornada ao redor do planeta, com um roteiro que era determinado a cada semana pelos telespectadores do Fantástico.


Via telefone e Internet, eles podiam escolher entre dois destinos de escalas para o repórter. Toda semana, eram exibidas matérias que Zeca Camargo realizava nos países escolhidos e, ao final de cada edição do Fantástico, um novo destino era anunciado. “Eu realmente não tinha noção de onde eu estaria na semana seguinte. O público era soberano”, conta Zeca Camargo, ao Memória Globo.

Para ele, este foi um dos projetos mais gratificantes de sua carreira e a ideia surgiu por acaso, quando o jornalista estava de férias no Vietnã. “Eu estava numa cidade micro, chama Hoi An, num cybercafé que tinha banda larga, e eu podia mandar imagem para o Brasil. A Globo começava a experimentar matérias enviadas pela internet, e eu sugeri ao Luizinho Nascimento [diretor do programa]. Porque o Fantástico tem que ser o primeiro em qualquer tecnologia, é um programa de ponta”. Deu certo.

Foram quatro meses longe de casa. Mais de 100 mil quilômetros percorridos em 54 trajetos de avião. Dezessete exuberantes países visitados ao redor do planeta. Eles comeram com as mãos no Quênia, visitaram a pequena cidade de Bilbao, na Espanha, passearam por Edimburgo na Escócia e chegaram à Ilha da Madeira, território português – a última parada.


Em 'A Fantástica Volta ao Mundo registros e bastidores de viagem por Zeca Camargo', o jornalista e apresentador revela aquilo que o telespectador não viu na televisão. Da concepção do projeto aos obstáculos práticos para a produção, o autor conta a história (e as histórias) de sua experiência de jornalismo itinerante as grandes surpresas, os personagens mais marcantes, as impressões de um brasileiro ao conhecer lugares e culturas tão diferentes. Zeca Camargo detalha a exaustiva rotina de trabalho e descreve as maiores e inesperadas dificuldades que surgiram pelo caminho. Em tom pessoal, são narradas as passagens mais emocionantes da viagem, bem como as sensações de quem vive a oportunidade única de dar uma volta ao mundo. O livro tem uma diagramação alegre e vem ilustrado com fotos da viagem.


Editora Globo, 2004.



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Esse artigo reúne algumas experiências literárias sobre viagens, tema de uma vasta produção literária por todo o planeta. Para quem quiser ampliar essa lista, visite o artigo sobre relatos de viagens mais recentes, publicado na revista Viagem e Turismo, por Giovanna Simonetti em 14 set/ 2019 e atualizado em 23 abr/ 2020.


https://viagemeturismo.abril.com.br/materias/12-livros-para-quem-e-apaixonado-por-viagens/


Boa(s) leitura(s) e boa(s) viagem(ns) !



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