• Finis Terrae Viagens

Expedições pelo rio Negro – conhecendo a Amazônia Central



A vastidão da Amazônia surpreende a quem pensa em conhecer a maior floresta tropical do planeta que ocupa quase a metade do território brasileiro. Segundo o ICMBio, são 4.196.943 km² de florestas que abrigam cerca de 40 mil espécies de plantas, 300 espécies de mamíferos, 1,3 mil espécies de aves. A Amazônia ocupa, além da região norte do Brasil, territórios da Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.


Além da maior biodiversidade, a Amazônia também apresenta a maior bacia hidrográfica. São milhares de rios e igarapés, todos contribuindo para a formação do rio Amazonas, o maior do planeta. Embora já existam diversas estradas na Amazônia, os rios continuam sendo as grandes vias de comunicação da região e as viagens de barco um meio único de conhecer melhor a floresta e o meio de vida das pessoas que ali vivem.


As distâncias são sempre enormes, e serão necessárias várias viagens à região para se poder afirmar que conhecemos a Amazônia. Nunca é tarde para essa descoberta. Tudo começa por escolhermos um ponto de partida para uma viagem de alguns dias a bordo de um barco pela imensidão da floresta. A bordo de um barco, a Amazônia flui pelos nossos olhos e sentidos de uma maneira especial. O tempo e as distâncias parecem se dilatar de modo a nos acostumarmos com a paisagem da floresta que desfila ao longo do rio como um interminável manto verde que emoldura as águas. O olhar atento pode ser brindado pela revoada de bandos de araras ou pares de tucanos. Estas aves formam casais estáveis que duram por toda a vida e juntos sobrevoam os rios e as matas. O céu clareando após um inevitável aguaceiro, a chuva intensa do começo da tarde, deixa a atmosfera límpida e intensifica as cores e os contrastes.


Os ingredientes únicos e a culinária regional transformam qualquer refeição em uma sucessão de sabores inusitados como um prato com pirarucu, o rei dos peixes amazônicos ou com tambaqui e outros peixes que pouco conhecemos em outras regiões do Brasil. A experiência de degustar um tacacá ao pôr-do-sol na beira do rio é marcante, principalmente pela presença do jambu na sua receita. Jambu é uma folha imprescindível no tacacá, amortece a língua enquanto apreciamos o prato, uma sensação estranha ao iniciante, que se revela surpreendente assim que nos habituamos ao sabor original dessa iguaria.


E os sorvetes e cremes gelados de frutas como cupuaçu ou bacuri fecham qualquer refeição. Talvez você prefira experimentar o coquinho de pupunha bem cozido. A polpa escassa ao redor de um caroço que ocupa quase todo o fruto deve ser retirada em lascas, com uma faquinha. O sabor amendoado e cremoso das lascas de coquinho de pupunha cozido são ótima companhia para um café da tarde.


Manaus é uma das portas de entrada para a floresta. Embora seja um polo industrial bastante movimentado, a cidade oferece a conveniência do aeroporto acessível por voos diretos das demais capitais do país e até do exterior. Manaus fica na Amazônia Central, no coração da floresta, na confluência do rio Amazonas com o rio Negro. Essa confluência é famosa pelo encontro das águas barrentas do Amazonas com as águas escuras do Rio Negro que percorrem juntas cerca de 8 quilômetros até finalmente se misturarem.


Cidade cosmopolita, Manaus oferece um conjunto de hotéis muito confortáveis e as atrações das imediações do Largo São Sebastião, em frente ao icônico Teatro Amazonas, lugar de bares agradáveis e alguns dos melhores restaurantes de Manaus, onde o visitante poderá degustar a cozinha regional interpretada por chefs consagrados.


Falando em comida, vale visitar o mercado central de Manaus que revela a variedade de peixes e produtos regionais, num exuberante conjunto em estilo art noveau erguido no início do século 20, que conta com galpões em estrutura metálica cujo projeto é atribuído a Gustav Eifell, responsável pela famosa torre que leva o seu nome em Paris. Embora essa autoria seja pouco provável, o galpão metálico é um digno representante da arquitetura de ferro da época e uma solução interessante para um local que precisa ser coberto e bem ventilado.


Mercado Municipal Adolpho Lisboa - Manaus


Manaus é o ponto de partida para atividades e viagens pela floresta. O estado do Amazonas tem 97% de sua cobertura vegetal preservada por áreas legalmente protegidas, segundo a SEMA do Amazonas. Parques Nacionais como o Arquipélago de Anavilhanas e o Jaú estão a um ou dois dias de navegação a partir de Manaus e representam espetaculares exemplos de florestas inundadas e secas.


Parque Nacional de Anavilhanas


Com uma área de 340 mil hectares, Anavilhanas, a cerca de 100 km de Manaus, no município de Novo Airão, apresenta centenas de ilhas alongadas formando um labirinto de furos e lagos. Visto do ar, o arquipélago parece um rendado verde, tecido em meio ao leito do Rio Negro. Junto com o Arquipélago de Mariuá, mais distante e também no rio Negro, constituem os maiores arquipélagos fluviais do planeta.

ParNa Anavilhanas - ICMBio/Divulgação


No Parque Nacional de Anavilhanas, durante a seca (setembro a fevereiro), emergem praias na Orla de Novo Airão e ao longo das margens do rio Negro e das ilhas, onde o contraste das areias brancas com as águas escuras do rio Negro criam cenários de incrível beleza.


Entre os atrativos de Anavilhanas está o Flutuante dos Botos, local que segue estritamente as regras de manejo do ICMBio, onde é possível interagir com estes animais.


Boto Vermelho no Flutuante dos Botos em Novo Airão. Foto Leo Albuuerque/ ParNa Anavilhanas/Divulgação


Parque Nacional do Jaú

O Parque Nacional do Jaú é um dos maiores do Brasil, com 2.272.000 hectares de área, localizada entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Baixo Rio Negro, Amazonas. Protege uma das maiores extensões de florestas tropicais úmidas contínuas do mundo. Destaca-se por ser o único parque do Brasil que protege praticamente a totalidade da bacia hidrográfica de um rio de águas pretas, o rio Jaú. O Parque foi reconhecido como Sítio do Patrimônio Mundial Natural e Reserva da Biosfera pela Unesco e integra o Sítio de Ramsar Rio Negro. O parque também faz parte do Corredor Central da Amazônia, um conjunto de áreas protegidas ao redor do baixo Rio Negro, sendo uma das reservas mais representativas da flora e da fauna das bacias de águas pretas na Amazônia Central.


Percorrer os cursos d’água em uma voadeira é a melhor forma de conhecer e apreciar as belezas da região. Ao longo dos rios Jaú, Carabinani e Unini, o visitante pode observar bandos de araras e papagaios sobrevoando a floresta de igapós. Na parte mais calma, orquídeas floridas refletem sua delicada forma nas águas escuras. Extensas praias de areia clara formam-se no rio Negro - entre novembro e janeiro - nas proximidades da foz do rio Jaú.


Na época de seca (setembro a fevereiro) é possível percorrer diversas trilhas, entre elas a trilha do Itaubal, a mais procurada, com 3,5 km de extensão em formato circular, oferecendo como experiência um contato íntimo com a natureza, com possibilidade de avistamento de diversas espécies da flora e da fauna nativa e banho na cachoeira do Itaubal.


Cachoeira do Itaubal - Foto: Josângela da Silva Jesus/ICMBio - Divulgação


No período de cheias (março a agosto) o percurso a pé se converte em percursos de canoa por trilhas aquáticas, propiciando a observação dos igapós, a floresta alagada das várzeas do rios. As trilhas aquáticas são uma excelente oportunidade para o visitante percorrer de barco por entre as árvores das ilhas inundadas do Rio Negro ou das margens do Rio Jaú. Destaca-se o Lago Santo Antônio, diversos Furos e Igarapés, e o Circuito Aquático da Cachoeira do Jaú, onde é possível o avistamento de grupos de macacos bicós, uacari (cacajao malanocephalus) e outras espécies nativas.


Roteiro Integrado do Baixo Rio Negro


No trajeto entre Novo Airão e o Parque Nacional do Jaú existem outros atrativos interessantes para serem visitados, além do Parque Nacional de Anavilhanas, temos a Cachoeira do São Domingos no Parque Estadual do Rio Negro Setor Norte, e as grutas do Madadá, na Área de Proteção Ambiental da Margem Direita do Rio Negro


Igapó do Parna do Jaú na cheia - Foto: Josângela Jesus/ICMBio - Divulgação


A partir de Manaus é possível realizar expedições e cruzeiros fluviais ou se acomodar

em hotéis e lodges de selva que vão do regional ao luxo. Os estabelecimentos localizados ao longo do Rio Negro têm a vantagem de apresentarem baixa incidência de mosquitos devido à alcalinidade das águas escuras que não são propícias à reprodução de mosquitos, o que representa uma viagem que permite vivenciar a natureza com mais tranquilidade.


Entre as melhores opções para conhecer essa região as Expedições Katerre oferecem roteiros exclusivos para pequenos grupos de até 16 pessoas em barcos regionais especialmente construídos para operarem como barco-hotel, contando com cabines com ar condicionado e sistema all inclusive, onde as refeições e passeios diários fazem parte do pacote.


A Finis Terrae oferece uma seleção das Expedições Katerre para propiciar a melhor experiência amazônica em roteiros de 6 e 9 dias. Veja mais na página Amazônia - expedições privativas ao Rio Negro.



Fontes:

https://www.icmbio.gov.br/parnaanavilhanas/guia-do-visitante.html

https://www.icmbio.gov.br/parnaanavilhanas/

https://www.icmbio.gov.br/portal/visitacao1/unidades-abertas-a-visitacao/189-parque-nacional-do-jau




7 visualizações0 comentário