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5 lugares para observação da vida silvestre no litoral sul do Brasil



O litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul oferecem oportunidades sem igual para a observação de animais silvestres em seu hábitat natural. A combinação de praias, lagos e lagunas formando banhados costeiros, apresentam diversificados ecossistemas e estão representados por praias lagunares e marinhas, lagoas, pântanos, campos de gramíneas, cordões e campos de dunas. Nesses ambientes encontramos uma vegetação única, adaptada à alta salinidade e umidade e aos ventos frios que sopram do sul. Baleias, botos, lobos-marinhos, capivaras e jacarés, além de centenas de espécies de aves que voam milhares de quilômetros para se recuperar de suas longas jornadas e procriar em ambiente propício e protegido por lei, formam um notável conjunto de animais que podem ser avistados nesses locais.


Escolhemos cinco áreas que apresentam as melhores oportunidades para observação de fauna no sul do Brasil. Algumas delas podem ser visitadas por meio dos roteiros da Finis Terrae.



1. Baleias Francas em Garopaba – Imbituba

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca é um verdadeiro berçário de baleias. No começo de junho as baleias começam a chegar para ter o seu filhote, amamentá-lo e ensiná-lo a nadar e a conviver com o mar. As baleias permanecem por ali até fins de outubro ou começo de novembro. De acordo com estudos que indicam uma variação no número de baleias que chegam à a cada ano, 2021 promete ser um ano de pico no número de baleias! A parte terrestre da APA procura complementar a proteção da área marinha com uma faixa terrestre que privilegia as iniciativas de conservação e desenvolvimento sustentável.


Diversos mirantes naturais espalhados pelos morros e costões à beira do mar propiciam a observação das baleias. Estes mirantes estão distribuídos ao longo de trilhas que interligam as mais lindas praias, algumas ainda desertas. Melhor levar um bom binóculo! Um passeio relaxante e divertido é caminhar por estas trilhas entre praias e morros. Além da “caça às baleias” o viajante terá a oportunidade de mergulhar nas águas de cada praia pelo caminho.



Com uma atmosfera elegante, porém relaxante, a Praia do Rosa foi considerada um dos 7 paraísos escondidos do planeta, pelo prestigioso jornal inglês The Guardian. Tem tudo para agradar a todo tipo de aficionado por praia (e até aqueles que não o são tanto assim): baleias francas, gente bonita, surfistas, ecoturistas, charmosos bangalôs em pousadas descoladas para uma viagem romântica ou para viagens em família, tudo isso embalado por bons restaurantes distribuídos por uma vila de características rurais com ruas de terra e muita vegetação.


Garopaba surgiu de uma antiga estação baleeira, no tempo em que ainda se caçava esses magníficos mamíferos e, embora esta prática não mais exista, a pequena cidade mantém o clima de vila de pescadores, com ranchos de pesca artesanal à beira do mar, belas enseadas e uma produção artesanal representativa da cultura açoriana que colonizou este litoral. De quebra, o viajante pode conhecer sambaquis e pedras líticas, resquícios arqueológicos que testemunham a antiga ocupação humana na região.


A Lagoa do Ibiraquera é outro lugar de destaque. Cercada de muito verde e com águas rasas e mornas, principalmente no verão, é um lugar perfeito para a prática de stand up padlle, canoa e caiaque. A barra da lagoa tem uma larga praia de areias muito brancas, bem frequentadas no verão, mas o que chama a atenção no lugar é o festival de kite surfers que pontilham o mar e o céu com uma verdadeira coreografia de kites multicoloridos. Do lado sul da barra, uma pequena vila conta com pousadas e restaurantes para animar ainda mais o local




2. A incrível pesca com ajuda dos botos em Laguna

Quem visita a APA da Baleia Franca de abril a junho pode observar de perto o fenômeno da pesca com botos, em Laguna. Em um raro processo de cooperação interespécies, a pesca artesanal com tarrafas é realizada na barra da laguna com o auxílio de um grupo de cerca de 50 botos que parecem treinados para a pesca, embora não o sejam.

Os pescadores esperam à beira da água enquanto os botos cercam cardumes de tainhas e outros peixes, afugentando-os em direção a estes pescadores que já conhecem os botos e até dão nomes a eles. Um salto diferenciado do boto indica ao pescador que é hora de jogar a tarrafa. Os peixes que eventualmente escapam da rede acabam na boca do golfinho, numa colaboração interespécies única no planeta. O viajante pode assistir a tudo isso bem de perto.




3. Santuário de aves no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, em Mostardas e Tavares

O Parque, verdadeiro santuário de aves migratórias, está localizado em uma extensa planície costeira arenosa, situada entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Sua paisagem é composta por mata de restinga, banhados, campos de dunas, lagoas de água doce e salobra, além de praias e uma área marinha. Por ali passam 182 espécies de aves, como: flamingos, maçarico-de-peito-vermelho, batuíras, curicacas, entre outras. A observação de aves é a principal atração turística da Lagoa do Peixe e a melhor época para se avistar aves é a primavera e o verão.


Apesar da denominação, a Lagoa do Peixe é, na verdade, uma laguna, por causa da comunicação com o mar. É relativamente rasa, com 60 centímetros de profundidade em média. Possui 35 quilômetros de comprimento e 2 quilômetros de largura, formada por sucessão de pequenas lagoas interligadas, caracterizando, assim, um reservatório natural de água salobra.


A área é um berçário para o desenvolvimento de espécies marinhas, entre eles encontram-se camarão-rosa, tainha e linguado, além disso, atrai variadas espécies de aves que encontram farta alimentação na lagoa e em suas marismas. (ICMBio)



4. Leões, Lobos-marinhos e focas (eventual) em São José do Norte

Lobos e leões-marinhos são eventualmente avistados nas praias da APA da Baleia Franca, mas é no seu limite sul, nos molhes da Barra da Laguna dos Patos, que estes mamíferos marinhos se agrupam em bandos. Na cidade de São José do Norte, vizinha ao norte da cidade de Rio Grande, a extremidade do Molhe Leste foi convertida em Reserva de Fauna municipal para garantir alguma proteção a este local. Além dos molhes da Barra, estes animais se agrupam apenas na Ilha dos Lobos, no litoral de Torres. O inverno e a primavera são as melhores épocas para o avistamento destes Pinípedes que, mais raramente, também incluem focas. Os molhes de São José do Norte estão bem próximos do centro da cidade.



5. A bicharada da Estação Ecológica do Taim

A Estação está situada numa estreita faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim. A planície costeira do Rio Grande do Sul apresenta áreas de grande expressão no contexto ambiental do extremo sul do Brasil, originadas pelos avanços e recuos do mar. Os banhados do Taim apresentam diversificados ecossistemas e estão representados por praias lagunares e marinhas, lagoas, pântanos, campos, cordões e campos de dunas.


A reserva abriga pelo menos 30 espécies diferentes de mamíferos e 250 aves, onde destacam-se animais como joão-de-barro, biguá, tachã, maçarico-preto, garça-moura, cabeça-seca, socozinho, ximango, martim-pescador, cisne-de-pescoço-preto, coscoroba, marrecão e marreca-piadeira. Entre os bichos de maior porte estão: tartaruga, capivara, ratão-do-banhado, cachorro do mato, lontra, tuco-tuco e jacaré-de-papo-amarelo.

A flora é bastante diversa, apresentando figueiras, corticeiras, quaresmas, orquídeas, bromélias, cactos, juncos e aguapés.

A partir da cidade de Rio Grande, o acesso à Estação Ecológica do Taim se faz pela da BR-471, rodovia que atravessa a área.







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